Porto, 19 set 2026 (Lusa) — O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, dirigiu este sábado duras críticas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, acusando o chefe do Executivo de ser o "pai do desespero e da pobreza acentuada" devido à inação governativa perante a escalada do custo de vida e a crise no acesso à habitação.
A reação bloquista surge na sequência de declarações de Montenegro, que garantiu que não seria o "pai da austeridade". Em declarações à Lusa no Porto, à margem de um debate sobre habitação com a eurodeputada Catarina Martins, Pureza aconselhou o primeiro-ministro a abandonar os "dogmas ideológicos liberais" e a implementar medidas de apoio de fundo, argumentando que a obsessão com as contas públicas equilibradas contrasta com as "contas incertas" do orçamento familiar.
O líder bloquista considerou que os alívios pontuais no IRS e os suplementos a pensionistas se traduzem em "migalhas e esmolas" rapidamente anuladas pela inflação, pela subida imparável dos combustíveis e pela subida das taxas de juro decidida pelo Banco Central Europeu.
Perante o agravamento dos encargos com os créditos à habitação e com as rendas, o coordenador do BE relembrou a proposta da sua força política para amortecer o impacto dos juros no banco público. O partido defende que a Caixa Geral de Depósitos deve reduzir a sua margem de lucro na proporção exata da subida das taxas de juro, uma medida que, segundo Pureza, forçaria os restantes bancos privados a acompanhar o corte de margens para proteger as famílias.