A Ucrânia enfrenta uma crise sem precedentes na sua defesa aérea. Em entrevista à CNN, o Presidente Volodymyr Zelensky lançou um apelo dramático aos Estados Unidos para a aquisição urgente de mísseis intercetores Patriot, revelando que o país conta atualmente com apenas 1% das suas necessidades de defesa contra o crescente bombardeamento balístico russo.
Segundo o chefe de Estado ucraniano, a capacidade de resposta das forças armadas caiu para menos de metade em relação ao ano passado. "Este ano temos duas vezes e meia menos intercetores do que tínhamos em 2025, enquanto a Rússia duplicou a produção mensal de mísseis balísticos", alertou Zelensky, sublinhando que julho foi o mês mais mortífero para os civis no país desde o início do conflito em 2022.
Mísseis desviados para o Médio Oriente e impasse com Trump
A escassez de sistemas de defesa na Ucrânia tem sido severamente agravada pelo contexto internacional. A crise no Médio Oriente e o confronto direto entre os EUA e o Irão levaram Washington e os seus aliados do Golfo a consumir dezenas de mísseis Patriot para travar ataques iranianos, deixando Kiev numa posição de extrema fragilidade.
"Se nos venderem 5%, atravessaremos o inverno e salvaremos vidas. Se nos conseguirem vender 10%, destruiremos todos os mísseis balísticos russos. Neste momento, eu tenho 1%", desabafou o líder ucraniano.
Paralelamente, a promessa do Presidente norte-americano Donald Trump de conceder uma licença para que a Ucrânia fabrique os seus próprios intercetores permanece num impasse político e burocrático, sem garantias de concretização a curto prazo.
Recusa de cedências territoriais e aviso à NATO
Apesar da pressão diplomática para negociações de paz, Zelensky rejeitou categoricamente a hipótese de ceder territórios no Donbass a Vladimir Putin, questionando a eficácia de qualquer acordo sem garantias reais de segurança.
O presidente ucraniano reforçou ainda os avisos da inteligência ocidental, alertando que uma eventual pausa nas hostilidades sem uma derrota clara da Rússia poderá levar Moscovo a expandir a agressão militar para outros países europeus, com especial foco nos membros mais vulneráveis da NATO, como os Estados Bálticos.
Fonte - CNN Portugal