A União Europeia, em conjunto com a Meta e o TikTok, estabeleceu um canal direto de cooperação para monitorizar e combater a rápida proliferação de notícias falsas associadas à recente crise migratória em Ceuta. O acordo, revelado pelo portal Politico, pretende articular a atuação de Bruxelas, das redes sociais e de agências independentes de fact-checking para identificar e eliminar publicações enganosas com maior celeridade do que nos protocolos convencionais.
O plano surge na sequência de encontros promovidos por Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, com os representantes das plataformas digitais. A medida visa conter o impacto de campanhas de desinformação que, segundo a organização Maldita.es, incitaram milhares de pessoas a tentar cruzar a fronteira sob a falsa promessa de acolhimento automático em território espanhol.
A dimensão da crise no enclave espanhol situado no norte de África registou números sem precedentes no final de julho, quando cerca de 72 mil pessoas entraram na cidade autónoma em apenas 24 horas. Segundo dados das autoridades espanholas, cerca de 70 mil já regressaram a Marrocos, mas a travessia a nado resultou em pelo menos 82 vítimas mortais.
O alerta em Bruxelas intensificou-se devido a novas mensagens que circulam no ecossistema digital a apelar a uma nova tentativa de entrada em massa a 15 de agosto, com as autoridades europeias a sinalizarem a interferência de canais associados à Rússia no amplificar destas narrativas. Apesar do reforço da vigilância exigido às redes sociais, a porta-voz do executivo comunitário, Arianna Podestà, ressalvou que a verificação dos conteúdos continua a ser um desafio e que o cenário no terreno permanece instável.
A gravidade do episódio levou também o ex-comissário europeu Thierry Breton a classificar os acontecimentos em Ceuta não apenas como um problema migratório, mas como o "primeiro ataque híbrido algorítmico em larga escala" contra as fronteiras da UE, apelando a uma investigação aprofundada sobre a manipulação digital do fenómeno.
Fonte - Lusa