Coimbra, 26 jul 2026 (Lusa) — O agravamento do aquecimento global está a multiplicar a ocorrência de megaincêndios de sexta geração, fenómenos caracterizados por uma libertação de energia tão monstruosa que escapa a qualquer capacidade de extinção direta. O aviso foi deixado este domingo pelo investigador Domingos Xavier Viegas, a propósito dos fogos descontrolados que lavram atualmente em França e Espanha.
Em declarações à Lusa, o professor emérito da Universidade de Coimbra explicou que, quando a intensidade de um fogo ultrapassa os 60 megawatts por metro, o incêndio passa a moldar o seu próprio microclima, gerando ventos autónomos e tornando-se imprevisível. Nesses cenários — semelhantes aos trágicos incêndios de 2017 em Portugal —, nem os aviões nem as equipas em terra conseguem travar a frente principal de combate.
“Quando os incêndios libertam mais do que 10 megawatt por metro já não há capacidade de os suprimir por meio de um ataque direto. Por isso é que as autoridades estão a dar prioridade a proteger e retirar as pessoas.”
Estudos recentes liderados por especialistas da academia de Coimbra alertam que a rapidez das mudanças climáticas está a superar as medidas de reorganização do território. Para mitigar estes episódios catastróficos, os peritos pedem um reforço urgente no investimento em gestão florestal e prevenção do risco.