Lisboa, 19 jul 2026 (Lusa) — A Comissão de Utentes em Defesa dos Serviços Públicos (CUDESP) lançou este domingo um forte alerta sobre as condições precárias de atendimento no serviço de urgência do Hospital de Portimão. A organização alega que os utentes são submetidos a esperas prolongadas dentro de veículos de socorro, expostos a um ambiente de calor intenso.
O protesto foi formalizado através de uma exposição enviada ao primeiro-ministro, à ministra da Saúde, às bancadas parlamentares e à liderança da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve. O documento inclui imagens que comprovam a acumulação de viaturas do INEM e de corporações de bombeiros nas imediações do hospital, com as portas abertas numa tentativa de mitigar as temperaturas elevadas enquanto os doentes aguardam vaga.
A CUDESP apontou ainda sérias falhas no respeito pela dignidade dos cidadãos, denunciando que a transferência dos pacientes das ambulâncias para o edifício hospitalar ocorre à vista de transeuntes e de quem se encontra na sala de espera. Segundo a comissão, este procedimento quebra regras básicas de recato e intimidade a que os utentes têm direito.
Adicionalmente, os utentes criticam a orgânica do espaço de triagem, descrevendo uma sala com postos de atendimento contíguos e sem barreiras visuais ou acústicas. Esta disposição faz com que dados clínicos confidenciais e queixas de saúde sejam escutados por terceiros sem qualquer reserva.
Perante este cenário, a comissão de utentes exige que a tutela ordene de imediato a criação de uma zona de acolhimento abrigada e digna para quem chega em transporte de emergência. Apela também aos partidos políticos que exerçam o seu papel de fiscalização para forçar o executivo a resolver as debilidades logísticas da unidade algarvia. A agência Lusa tentou obter um esclarecimento junto da ULS do Algarve, mas não obteve resposta em tempo útil.