Lisboa, jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, garantiu hoje que a central sindical vai analisar à lupa o novo relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social. Embora se mostre recetivo a discutir novas vias de financiamento público, o líder sindical deixou um aviso claro: não tolerará manobras que visem abrir a porta à privatização do sistema.
A reação surge após o Ministério do Trabalho ter confirmado a receção do documento final elaborado por um grupo de trabalho técnico. Tiago Oliveira lembrou que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) registou um saldo recorde no ano passado, o que enfraquece a narrativa de que o sistema está em colapso financeiro. Ainda assim, a CGTP defende o reforço de fontes alternativas de receita, desde que sirvam para blindar e valorizar o Estado Social.
O líder da maior central sindical do país não poupou críticas à nomeação do economista Jorge Bravo para liderar o estudo. Para Oliveira, o facto de o coordenador do relatório estar "profundamente ligado aos fundos privados de pensões" levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade do documento, temendo que o diagnóstico sirva como justificação política para enfraquecer o regime público a favor do setor privado.
Paralelamente ao debate das pensões, o secretário-geral da CGTP aproveitou para exigir uma mudança de rumo na política económica do país, defendendo aumentos salariais intercalares imediatos e o fim da precariedade laboral. Para 2026, a fasquia da CGTP mantém-se nos 1.050 euros para o salário mínimo nacional e numa subida salarial de, pelo menos, 15% para os trabalhadores em geral, prometendo apresentar o novo caderno reivindicativo para 2027 já no próximo mês de setembro.