Lisboa, 13 jul 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, assegurou esta segunda-feira que a denúncia sobre as supostas ameaças do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, partiu de dentro do próprio Executivo. De acordo com o líder partidário, foram deputados e elementos próximos do governante que o alertaram para o comportamento do ministro, que já desmentiu categoricamente qualquer intimidação.
Em conferência de imprensa na sede do Chega, em Lisboa, Ventura não revelou nomes, mas insistiu na gravidade do caso ocorrido durante o debate parlamentar de 27 de maio sobre o SIRESP. O Chega chegou a divulgar um vídeo legendado nas redes sociais onde alega que Luís Neves diz a Ventura que este "iria pagar" pelas declarações feitas no plenário, embora o som do vídeo não permita ouvir as palavras. O governante reagiu acusando o partido de espalhar imagens manipuladas.
Ventura, que já solicitou uma audiência de urgência ao Presidente da República, argumentou que a conduta de Luís Neves é intolerável numa democracia e que "situações muito menores" já ditaram a queda de ministros no passado. "Luís Neves sente-se impune, acha que pode fazer o que quer (...) e ameaçar todos com o poder que tem", acusou o líder do Chega, rejeitando qualquer adulteração das imagens partilhadas.
A par da polémica no Parlamento, André Ventura aproveitou para lançar novas suspeitas sobre o ministro, apontando um potencial conflito de interesses em obras realizadas na casa pessoal de Luís Neves por uma empresa que já prestou serviços à Polícia Judiciária — instituição que o governante liderava antes de assumir a pasta ministerial. Ventura criticou ainda o facto de o ministro ter admitido pagamentos em numerário a um empreiteiro aos fins de semana, alegando que tal prática viola as próprias regras do Governo que limitam pagamentos em dinheiro físico.
O Chega promete levar este confronto direto ao debate do Estado da Nação, agendado para a próxima quinta-feira, onde Ventura pretende exigir ao Primeiro-Ministro o afastamento imediato de Luís Neves do cargo.