Lisboa, jul 2026 (Lusa) — O Bloco de Esquerda (BE) subiu o tom das críticas ao Executivo e declarou que o atual ministro da Educação perdeu toda a legitimidade política para se manter no cargo. A posição foi transmitida este sábado pelo coordenador bloquista, José Manuel Pureza, no final da reunião da Mesa Nacional do partido.
Para o líder do BE, o atual panorama de falhas na correção dos exames nacionais é o resultado direto de uma estratégia política deliberada da direita, que acusou de "lançar o caos" nos serviços públicos para depois justificar medidas de privatização. Pureza foi severo nas palavras, ligando o colapso do processo de avaliação a um "deslumbramento muito pacóvio relativamente à digitalização" promovido por Fernando Alexandre.
Face à gravidade da situação, o Bloco mostrou-se muito confiante na aprovação da comissão parlamentar de inquérito que já propôs na Assembleia da República. O objetivo é escrutinar detalhadamente as falhas informáticas e logísticas que afetaram milhares de professores e alunos, com Pureza a sublinhar que espera que o governante seja ouvido pelos deputados já na condição de "ex-ministro".
O coordenador do BE reagiu também ao anúncio do pagamento de horas extra aos professores que trabalharam este fim de semana, feito pelo porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho. José Manuel Pureza criticou o facto de o anúncio ter sido feito por um dirigente partidário e rejeitou categoricamente a ideia de que a medida seja um ato de "generosidade" ou de "reconhecimento" por parte do Governo. Para o líder bloquista, trata-se de um direito laboral básico: se há trabalho suplementar forçado, o pagamento é apenas o cumprimento estrito da lei.