Lisboa, 12 jul 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal defendeu que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ainda tem uma enorme margem de crescimento, sublinhando que a capacidade máxima desta aliança internacional está muito longe de ser totalmente utilizada.
Em entrevista telefónica à agência Lusa, conduzida a propósito do 30.º aniversário da organização, Paulo Rangel destacou o papel crucial da comunidade na diplomacia de todos os seus membros. "Evidentemente que o potencial é grande, ou seja, não está nem de perto, nem de longe, explorado todo o potencial. Nós, juntos, podemos fazer mais", garantiu o governante.
O chefe da diplomacia portuguesa apontou para a força demográfica da língua portuguesa, prevendo que o número de falantes no mundo atinja os 600 milhões até ao final do século XXI. Sendo atualmente a língua mais falada no Hemisfério Sul, Rangel acredita que esta explosão populacional, combinada com a emergência económica de vários estados-membros, vai traduzir-se numa influência geopolítica e visibilidade muito superiores às atuais. O ministro apontou o crescente interesse de países terceiros em tornarem-se observadores associados como a prova máxima do prestígio externo da organização.
Embora reconheça que a CPLP não compete nem substitui blocos como a União Europeia ou a União Africana, o governante explicou que a inserção dos seus membros noutros mercados regionais (como a ASEAN ou a CEDEAO) acaba por "amplificar" o poder da própria lusofonia.
Paulo Rangel fez um balanço "francamente positivo" das três décadas de história da organização, celebradas formalmente a 17 de julho. O ministro aplaudiu os avanços práticos no acordo de mobilidade e na promoção da língua, dando como exemplo o desenvolvimento da licenciatura conjunta em saúde pública, um projeto desenhado para todos os estados-membros e anunciado na cimeira de Bissau em 2025.
Recorde-se que a CPLP integra atualmente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.