Sintra, Lisboa, 12 jul 2026 (Lusa) — O co-porta-voz cessante do Livre, Rui Tavares, oficializou este domingo a sua saída do topo do partido com um forte apelo à coesão interna. À margem do 17.º Congresso Nacional, que decorre em Sintra, o carismático fundador da força política rejeitou categoricamente a existência de fações e garantiu que o Livre sai desta reunião magna ideologicamente unido e pronto para voos mais altos.
O último dia de funções de Rui Tavares como líder arrancou no centro histórico da vila de Sintra, numa homenagem à escritora Maria Gabriela Llansol — considerada a "madrinha literária" deste congresso. Junto ao icónico plátano a que a autora chamou de “Grande maior”, o deputado esteve acompanhado por dezenas de apoiantes, mas acabou por surgir sem a sua parceira de liderança, Isabel Mendes Lopes, e sem o candidato à sucessão, Jorge Pinto, ausentes por motivos de saúde e atraso logístico, respetivamente.
Em declarações aos jornalistas, Tavares usou a árvore centenária para fazer uma metáfora com o percurso do partido, sublinhando que o Livre "será sempre maior enquanto souber manter este espírito de pluralismo, mas de união também". O líder cessante frisou que, com o fecho das urnas no congresso, "acabaram as listas" rivais e que o foco total volta a ser a defesa da ecologia, da igualdade e de medidas globais como a taxação dos super-ricos para apoiar os mais vulneráveis.
Confrontado com as críticas internas feitas durante o fim de semana, o historiador recusou a ideia de ruturas na estrutura. "O que há é pluralismo, porque o partido quis que assim fosse", atirou, lembrando que o Livre recorre a primárias abertas e rejeita o modelo tradicional de tendências partidárias. Tavares aproveitou ainda o momento para deixar um aviso ao panorama político nacional: "O país não tem donos e a esquerda também tem o direito e o dever de se preparar para governar e para governar bem".
A fechar o seu ciclo na liderança, e justificando a transição para um papel focado na estratégia partidária, Rui Tavares deixou um desabafo sobre o seu próprio futuro e o desgaste da atividade pública: "Todos fazemos parte desse mesmo património ideológico e avançamos com ele, às vezes usando o partido (...) outras vezes decidindo também tirar o seu tempo para fazer as outras coisas magníficas que a vida também oferece, porque a vida não é só política".