Portsmouth, Reino Unido, 07 jul 2026 (Lusa) – Um navio petroleiro foi alvo de um ataque na passada segunda-feira após ser atingido por um projétil de origem desconhecida. O incidente ocorreu nas águas territoriais de Omã, nas imediações do estratégico Estreito de Ormuz, avançou a agência de segurança marítima do Reino Unido (UKMTO).
De acordo com o comunicado emitido pela entidade britânica, a tripulação da embarcação reportou que o impacto se deu do lado esquerdo (bombordo), gerando um incêndio deflagrado enquanto o navio rumava em direção ao sul. A UKMTO salvaguardou, contudo, que a situação foi controlada sem registo de vítimas humanas ou de qualquer desastre ecológico na região, localizada a cerca de 15 quilómetros a leste da localidade omanense de Limah.
A navegação mercante naquela zona tem enfrentado meses de sobressalto devido à crise no Médio Oriente. A instabilidade agravou-se a 1 de março, data em que o Irão bloqueou esta rota vital como resposta a ofensivas militares de Israel e dos Estados Unidos, que por sua vez retaliaram com um bloqueio naval aos portos de Teerão. Embora o tráfego comercial tenha sido reatado a 17 de junho graças a um acordo bilateral de trégua entre Washington e o governo iraniano, o clima permanece altamente volátil.
As autoridades de Teerão continuam a avisar que os tempos de passagem livre e gratuita pelo estreito acabaram e ameaçam recorrer à força contra qualquer cargueiro que saia do corredor exclusivo desenhado junto à sua linha costeira. Este novo ataque surge poucos dias após uma troca de bombardeamentos no final de junho, desencadeada após os EUA terem acusado o Irão de sabotar navios civis, o que levou a aviação norte-americana a atacar solo iraniano e Teerão a responder com bombardeamentos às nações vizinhas do Kuwait e do Bahrein.
O Estreito de Ormuz assume uma importância geopolítica e económica fulcral por ser a grande artéria que abastece o planeta com o crude do Médio Oriente, abastecendo sobretudo a Ásia. Dados da Agência de Energia dos EUA apontam que por aquele braço de mar transitam cerca de 20 milhões de barris por dia, o que representa um quinto de todo o consumo global de petróleo.