A autarquia de Jerusalém estará a planear avançar com a cobrança do imposto municipal sobre bens imóveis (conhecido localmente como Arnona) a propriedades pertencentes às igrejas cristãs. A medida, avançada pela imprensa internacional e por fontes ligadas ao setor, visa taxar os bens imobiliários que não sejam estritamente utilizados como locais de oração ou culto, como é o caso de hotéis, albergues de peregrinos e terrenos comerciais.
A decisão ameaça quebrar um status quo histórico que remonta à época otomana e que tem garantido, ao longo dos séculos, a isenção fiscal destas instituições na Cidade Santa. De acordo com fontes diplomáticas, a medida poderá afetar gravemente as finanças das comunidades cristãs locais — incluindo o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa —, que utilizam as receitas dessas propriedades comerciais para financiar escolas, hospitais e apoio social à minoria cristã na região.
Esta não é a primeira vez que o município tenta implementar a cobrança. Em 2018, uma iniciativa idêntica por parte do governo local levou os líderes das principais denominações cristãs (Católica, Ortodoxa e Arménia) a fechar as portas da Basílica do Santo Sepulcro em sinal de protesto. Na altura, o impasse escalou para uma crise diplomática internacional, forçando o governo central israelita a suspender a medida e a criar um comité de negociação que acabou por congelar o processo.
Até ao momento, os representantes das igrejas cristãs têm manifestado forte preocupação, argumentando que a taxação põe em causa a viabilidade da sua missão humanitária e religiosa na região. Por outro lado, as autoridades municipais defendem que as atividades estritamente comerciais geram lucros e devem ser tributadas de igual forma às restantes empresas da cidade, separando o negócio da fé.
Fonte- Lusa