(Lusa) - O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou para 13 o número de distritos em Portugal continental sob aviso vermelho — o nível mais crítico da escala — devido à persistência de temperaturas extremamente elevadas. A medida, que inicialmente abrangia 12 distritos, vai manter-se em vigor até domingo na maior parte destas regiões.
Os distritos mais afetados por este aviso extremo são Portalegre, Évora, Beja, Santarém, Lisboa, Viana do Castelo, Porto, Braga, Coimbra, Aveiro, Leiria, Setúbal e Castelo Branco. Contudo, a duração do alerta varia: enquanto na maioria o aviso se estende até à noite de domingo, nos distritos do litoral norte e centro (Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria) o nível desce para laranja a partir das 23:00 de hoje.
Esta vaga de calor severo traz previsões de máximas que podem atingir os 44 °C e noites tropicais com mínimas a oscilar entre os 24 °C e os 28 °C. Perante este cenário, os restantes cinco distritos do continente (Bragança, Viseu, Guarda, Faro e Vila Real) encontram-se sob aviso laranja. O arquipélago da Madeira também está em alerta, com aviso laranja para as zonas montanhosas e amarelo para as restantes áreas. Recorde-se que o Governo já tinha declarado a situação de alerta no país, implementando restrições imediatas como a proibição do uso de maquinaria agrícola no exterior para evitar a deflagração de fogos.
Com o risco de incêndios rurais a disparar, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) subiu o estado de prontidão para o nível III (intermédio/alto), colocando o dispositivo de combate na sua capacidade máxima. A gravidade da situação levou ainda o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, a anunciar a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e de acordos bilaterais com Espanha e Marrocos, garantindo um reforço preventivo de meios aéreos e terrestres para apoiar as forças nacionais.
Paralelamente, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu diretrizes estritas aos municípios para proteger as populações. As autarquias foram aconselhadas a sinalizar e acompanhar de perto as pessoas mais vulneráveis através de visitas domiciliárias, a criar "zonas de arrefecimento" e abrigos temporários climatizados, e a disponibilizar água potável. Recomenda-se ainda o alargamento do horário de funcionamento de espaços públicos como piscinas e bibliotecas, bem como a adaptação dos horários dos trabalhadores municipais que exercem funções ao ar livre.