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Livreiro de Hong Kong capturado na China morre em Taipé
Lam Wing-kee, que se tornou um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão após ter sido alvo de um rapto político por parte de Pequim, faleceu aos 70 anos devido a doença prolongada.
Por Redação
Publicado em 03/07/2026 06:38
International
@Lusa

Taipé, 03 jul 2026 (Lusa) – O conhecido dissidente e livreiro de Hong Kong, Lam Wing-kee, faleceu na noite de quinta-feira na capital de Taiwan, aos 70 anos. Lam ganhou notoriedade internacional após denunciar ter sido alvo de um rapto orquestrado por agentes governamentais chineses em 2015, motivado pela comercialização de obras literárias com fortes críticas ao regime de Pequim.

O óbito ocorreu no Hospital Mackay, em Taipé, devido ao agravamento do seu estado clínico após a reativação de um cancro diagnosticado no ano passado, avançou a agência noticiosa local CNA. Sem laços familiares em Taiwan, o livreiro passou os seus últimos momentos acompanhado por vários amigos e exilados de Hong Kong que residem atualmente na ilha. A perda gerou reações ao mais alto nível político: o Presidente de Taiwan, William Lai Ching-te, utilizou as redes sociais para manifestar o seu profundo pesar, elogiando o percurso de Lam como um testemunho vivo da importância da democracia e um lembrete firme de que a liberdade exige uma defesa constante.

Lam Wing-kee era o responsável pela célebre livraria Causeway Bay Books, um espaço em Hong Kong focado em publicações que expunham os segredos das lideranças do Partido Comunista Chinês. No final de 2015, Lam e outros quatro livreiros desapareceram sem deixar rasto, reaparecendo meses mais tarde detidos na China continental. Após ser libertado, o ativista quebrou o silêncio e relatou ter sido vendado na fronteira, mantido em isolamento total, sujeito a interrogatórios exaustivos e forçado a gravar confissões televisivas falsas. Em 2019, perante a ameaça de uma lei que permitiria a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China, Lam refugiou-se em Taiwan, onde reabriu a sua emblemática livraria e permaneceu exilado em definitivo após a imposição da polémica Lei de Segurança Nacional em 2020.

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