Atenas, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O piloto francês Sébastien Ogier, aos comandos de um Toyota Yaris, sagrou-se este domingo o grande vencedor do Rali da Acrópole. A mítica prova grega, que cumpre a oitava paragem do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), serviu de desforra para o veterano gaulês, que em maio tinha visto fugir uma vitória praticamente certa em solo português devido a problemas mecânicos.
Acompanhado pelo navegador Vincent Landais, Ogier concluiu o desafio com uma margem confortável de 58,3 segundos sobre o belga Thierry Neuville (Hyundai) — curiosamente, o piloto que herdou o triunfo em Portugal após o azar do francês. O pódio em solo helénico ficou completo com o terceiro lugar do japonês Takamoto Katsuta, também num Toyota Yaris, que cortou a meta a mais de três minutos do topo.
Com este resultado, o eneacampeão mundial celebrou a 69.ª vitória do seu historial no WRC, carimbando o seu segundo triunfo na clássica da Acrópole, exatamente uma década e meia depois de ali ter vencido pela primeira vez. A jornada de domingo acabou por ser perfeita para Ogier, que amealhou a pontuação máxima em disputa ao impor-se igualmente nas tabelas do 'Super Sunday' e na 'power stage' de encerramento.
Thierry Neuville iniciou o último dia de competição na liderança da prova, detendo uma curta vantagem de 4,1 segundos sobre o perseguidor francês. Contudo, o cenário alterou-se logo na classificativa de abertura, em Aghii Theodori, com Ogier a saltar para o comando por uma margem mínima de 1,3 segundos. Após empatarem ao milésimo na primeira passagem por Loutraki, o golpe de teatro aconteceu na segunda ida a Aghii Theodori.
Nesse troço, o Hyundai de Neuville sofreu dois furos simultâneos nas rodas traseiras, custando ao belga uma perda superior a 53 segundos e deitando por terra as aspirações de discutir o triunfo. A partir desse momento, o piloto da Toyota dedicou-se a gerir o andamento, embora mantendo a agressividade necessária para vencer a 'power stage'. "Os deuses gregos finalmente apoiaram-me", desabafou Ogier no final, reconhecendo o nível de exigência de um fim de semana em que conduziu com suavidade para contornar a dureza das pedras gregas.
Apesar da quebra na fase final, Neuville mostrou-se conformado e sublinhou a competitividade do seu carro, lembrando as ironias do desporto: "Em Portugal beneficiei do furo do Ogier, aqui aconteceu o inverso. São os ralis".
No que toca às contas do campeonato, o britânico Elfyn Evans (Toyota) superou um fim de semana muito adverso — marcado pela desvantagem de abrir a pista na sexta-feira e por problemas nas rodas — terminando num discreto sétimo lugar. Ainda assim, Evans segura a liderança do Mundial de pilotos com 162 pontos, seguido agora por Katsuta com 148 e Ogier, que ascende à terceira posição com 112 pontos. Nos construtores, a Toyota Gazoo Racing cimenta o comando destacado sobre a Hyundai, numa altura em que estão cumpridas oito das 14 provas do calendário. A próxima paragem do Mundial será na Estónia, de 16 a 19 de julho.