Paris, 24 jun 2026 (Lusa) — Cerca de 70 mil cidadãos encontram-se hoje privados de eletricidade no departamento de Finistère, no oeste de França. O corte no fornecimento foi motivado por uma falha num transformador elétrico que cedeu perante as temperaturas extremas que assolam a região, num momento em que o país se prepara para registar novos máximos históricos.
De acordo com as autoridades municipais desta zona situada na Bretanha, a quebra de energia deu-se ao final do dia de ontem. Devido à complexidade dos trabalhos técnicos exigidos, a autarquia já confirmou que os residentes afetados não deverão ver a luz restabelecida antes do final do dia de hoje.
A vaga de calor não dá tréguas em território gaulês, com a Météo-France a colocar 58 dos 100 departamentos sob aviso vermelho — o patamar de risco mais severo do sistema de proteção civil — e outros 31 sob aviso laranja. Logo ao início da manhã desta quarta-feira, os termómetros já davam sinais de escalada, marcando 26 graus em Paris, 27 em Bordéus e 29 em La Rochelle.
Os indicadores preliminares do serviço meteorológico nacional revelam que a passada terça-feira se fixou como o dia mais quente em França desde que há registos estruturados, iniciados em 1947. A média nacional calculada com base em três dezenas de estações espalhadas pelo país atingiu os 29,8 graus Celsius.
Ainda que se preveja que a atual vaga atinja o pico entre hoje e quinta-feira — antes de uma ligeira trégua na sexta-feira —, a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, alertou que os modelos climáticos apontam para uma forte probabilidade de uma nova vaga de calor sufocante até meados de julho.
Em entrevista à rádio France Inter, a governante admitiu que o país enfrenta o desafio urgente de acelerar os investimentos nas infraestruturas públicas para fazer face às alterações climáticas, sublinhando que a adaptação das redes de água e dos traçados ferroviários é um plano estrutural que levará décadas a concluir.
A crise climatérica tem deixado marcas visíveis no quotidiano francês, traduzindo-se no fecho preventivo de escolas e monumentos, além de um balanço trágico de pelo menos 20 vítimas mortais por afogamento desde o último fim de semana. O fenómeno de calor extremo estende-se também a vários outros pontos da Europa, incluindo Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido e Alemanha.