Lima, 24 jun 2026 (Lusa) — A líder da direita peruana, Keiko Fujimori, garantiu uma vantagem matemática suficiente para se consagrar vencedora da segunda volta presidencial, encontrando-se apenas a aguardar a proclamação oficial do tribunal eleitoral.
Com 99,8% dos sufrágios apurados, a representante do Força Popular soma 50,11% dos votos válidos face aos 49,88% registados pelo candidato de esquerda, Roberto Sánchez. A diferença fixa-se nuns escassos 43.386 votos, um cenário já considerado impossível de reverter dado que restam contabilizar somente cerca de 26.200 boletins.
A tensão política subiu de tom depois de Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru) ter exigido a anulação do voto dos emigrantes — o qual, a ser excluído, lhe daria a vitória por uma margem de 38.007 votos. O candidato apoiado pelo ex-Presidente detido Pedro Castillo alega que o transporte físico das atas consulares para a capital, ordenado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, ocorreu sem garantias de segurança e abriu a porta a uma "fraude em curso". Diante destas alegações, Sánchez já fez saber que não irá validar a legitimidade do Governo de Fujimori e apelou à mobilização popular nas ruas.
A reação da candidatura de Fujimori não se fez esperar. Luis Galarreta, aspirante à vice-presidência, classificou a postura do opositor como "antidemocrática" e instou as autoridades a acelerarem a publicação dos dados oficiais para travar discursos de negação do resultado.
A plataforma cívica independente Transparência também veio a público rejeitar de forma categórica as denúncias de fraude. A organização garantiu que a sua missão de observação internacional, que cobriu mais de dez cidades no exterior, não detetou qualquer anomalia capaz de pôr em causa a idoneidade do ato eleitoral.
O desfecho jurídico da contenda acabou por ficar traçado na última noite, quando o Tribunal Eleitoral Especial de Lima Centro 2 considerou o recurso de Sánchez inadmissível por ter sido entregue fora do prazo legal e sem o pagamento das taxas obrigatórias. A decisão desimpediu o caminho para que a Junta Nacional de Eleições proclame formalmente a filha do antigo Presidente Alberto Fujimori como a nova chefe de Estado do Peru.