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Calor obriga a suspender central nuclear em França
Aumento da temperatura no rio Garonne levou à paragem total da central de Golfech para proteger a fauna e a flora locais do aquecimento das águas.
Por Redação
Publicado em 23/06/2026 08:50
International
@Lusa

Toulouse, França, 23 jun 2026 (Lusa) — Uma central nuclear no sudoeste de França foi totalmente desligada na noite de segunda-feira. A decisão prendeu-se com "restrições ambientais" motivadas pela forte vaga de calor que assola o país, confirmou uma fonte oficial daquela infraestrutura.

A central de Golfech, que está equipada com dois reatores de água pressurizada de 1,3 gigawatts (GW), depende do caudal do rio Garonne para realizar o arrefecimento dos seus sistemas. O desligamento do reator ativo ocorreu por volta das 23:45, uma medida preventiva face à previsão de que a temperatura da água do rio atinja os 28°C no decorrer do dia de hoje. Como o outro reator já se encontrava parado desde maio para trabalhos de manutenção programada, a central ficou temporariamente inoperacional.

A paragem cumpre as diretrizes de um decreto em vigor desde 2006, que proíbe que a temperatura do rio ultrapasse os 28°C após receber os efluentes de arrefecimento da central, salvaguardando assim o ecossistema fluvial (peixes e vegetação).

O desafio climático na produção de energia Os 57 reatores nucleares que compõem a rede elétrica francesa exigem um arrefecimento constante e ininterrupto, razão pela qual são construídos junto à costa ou nas margens de grandes rios. Perante episódios de calor extremo, o aquecimento natural dos rios obriga a operadora estatal EDF a reduzir a potência ou a cessar totalmente as operações para não sobreaquecer ainda mais os cursos de água.

Atualmente, estas paragens motivadas por critérios ecológicos têm um impacto reduzido na capacidade produtiva anual da EDF, representando uma quebra de apenas 0,3%. No entanto, os modelos climáticos alertam que, face ao agravamento do aquecimento global e sem a implementação de novas tecnologias de adaptação, este impacto poderá subir para uma média de 1,4% até ao ano de 2035 e fixar-se nos 1,5% por volta de 2050.

Esta forte onda de calor, que já provocou várias vítimas mortais em território francês, está a sobrecarregar o sistema energético, e a EDF admite já a necessidade de aplicar cortes na produção de outras instalações, como é o caso da central de Bugey, localizada no sudeste de França.

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