MENU
Presidente da Bolívia proclama “estado de emergência” para “deixar de ser refém” de bloqueios e protestos
Rodrigo Paz avança com medida de exceção para desimpedir as estradas, após 50 dias de contestação que já provocaram 16 mortos e prejuízos de milhares de milhões de euros.
Por Redação
Publicado em 20/06/2026 11:37
International
@Lusa

La Paz, 20 de junho de 2026 (Lusa) — Numa tentativa de travar a onda de contestação que paralisa o país há 50 dias, o Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou este sábado a ativação do estado de emergência nacional. O líder boliviano recorreu às redes sociais para justificar a medida extrema, explicando que a prioridade é a desobstrução das principais vias rodoviárias e a libertação da população que se encontra privada de trabalhar, estudar ou aceder a bens essenciais e cuidados médicos devido aos bloqueios. Segundo o chefe de Estado, a intenção não é perturbar o quotidiano dos cidadãos, mas sim repor a ordem e restabelecer o normal funcionamento do país.

A declaração desta medida de exceção surge poucas horas depois de o Executivo ter alcançado um compromisso crucial com a Central Operária Boliviana (COB), a maior organização sindical do país, liderada por Mario Argollo. Após reuniões à porta fechada com vários ministros, a COB aceitou levantar as ações de protesto a nível nacional, dando ao Governo um prazo de 90 dias para cumprir as promessas negociadas, que incluem a libertação dos manifestantes que foram detidos ao longo das últimas semanas.

Apesar do alívio parcial trazido por este entendimento com o setor operário, o Presidente Rodrigo Paz considerou-o insuficiente para pacificar totalmente o território. Isto porque várias fações sindicais de camponeses da região de La Paz e grupos de apoiantes do antigo governante Evo Morales recusaram o diálogo e mantêm-se firmes no bloqueio das estradas. Estes setores radicais mantêm as exigências de demissão imediata do atual Presidente da República.

A crise social e política na Bolívia, que arrasta as duas principais organizações sindicais em protestos desde o início do mês de maio, já provocou um cenário severo de desabastecimento de produtos alimentares, oxigénio hospitalar e combustíveis em vários pontos do país. O balanço trágico deste impasse contabiliza já pelo menos 16 vítimas mortais — a larga maioria devido à impossibilidade de receber assistência médica atempada por causa das estradas cortadas — e um impacto financeiro devastador na economia boliviana, avaliado em cerca de 2,6 mil milhões de euros (3.000 milhões de dólares).

Comentários