Genebra, 19 de junho de 2026 (Lusa) — A propagação da epidemia do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) está a ganhar velocidade, apesar da intensificação das operações de resposta sanitária no terreno. O anúncio foi feito esta sexta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que manifestou grande preocupação com o rumo do surto.
De acordo com Marie Roseline Belizaire, diretora de emergências da OMS em África, a situação epidemiológica encontra-se em rápida evolução. Atualmente, o contágio acelerado afeta 33 zonas de saúde distribuídas por três províncias do país centro-africano. Embora o cenário permaneça grave, a responsável sublinhou, a partir de Bunia, que a capacidade de resposta médica tem vindo a ser fortalecida diariamente.
Até ao momento, os dados oficiais da OMS apontam para um total de 896 casos registados em território congolês, resultando em 232 vítimas mortais — o que equivale a uma taxa de letalidade de 26%. Em contrapartida, o vizinho Uganda, que contabilizou 19 infeções confirmadas e dois óbitos, dá sinais de estabilização ao não reportar novos contágios nos últimos 12 dias.
Para conter a crise, a agência de saúde das Nações Unidas já mobilizou mais de 115 especialistas para as regiões mais fustigadas e enviou cerca de 110 toneladas de bens e equipamentos médicos de emergência. A infraestrutura de acolhimento conta agora com 516 camas disponíveis e uma capacidade laboratorial apta a realizar mais de 2.000 testes diários. Uma equipa médica vinda da China também já chegou a Kinshasa para apoiar os esforços locais.
Contudo, os desafios operacionais continuam a ser significativos. A insegurança em várias regiões impede o livre acesso das equipas de socorro às populações afetadas, numa altura em que os recursos financeiros e logísticos dão sinais de escassez perante a progressão da doença. Adicionalmente, a monitorização de contactos de risco situa-se nos 75%, uma percentagem considerada insuficiente face à meta ideal de 95%. A ocorrência de mortes fora do ambiente hospitalar e o aparecimento de novos casos entre deslocados de guerra sugerem que subsistem cadeias de transmissão ocultas.
Paralelamente, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) uniram esforços na monitorização de fronteiras e corredores humanitários. A OIM já ultrapassou a fasquia de um milhão de rastreios de saúde realizados para travar a exportação do vírus. O foco incide no controlo da mobilidade humana, descrita pelas agências como o vetor central tanto para a propagação como para o isolamento de patógenos.
A RDCongo declarou este surto a 15 de maio, tratando-se já da 17.ª ocorrência de Ébola na história do país. A situação ganhou o estatuto de emergência de saúde internacional dois dias depois. Esta vaga em particular é causada pela estirpe Bundibugyo, para a qual não existem vacinas aprovadas ou tratamentos médicos direcionados, o que leva a OMS a classificar o risco regional na África subsariana como "alto". O vírus propaga-se através do contacto direto com fluidos corporais infetados e provoca quadros graves de febre hemorrágica.