Maputo, 19 de junho de 2026 (Lusa) — A União Europeia (UE) assumiu hoje que as vastas reservas de gás natural de Moçambique são um elemento estratégico para o plano de diversificação energética do bloco europeu. Em entrevista à Agência Lusa, Patrícia Llombart, diretora-geral para África do Serviço Europeu de Ação Externa, sublinhou que Bruxelas pretende desenhar esta relação assente numa lógica de sustentabilidade e benefício mutuo.
A diplomata, que se encontra em Maputo numa visita de trabalho, destacou que o Gás Natural Liquefeito (GNL) moçambicano — que figura entre as maiores reservas do continente africano — representa uma oportunidade de ouro para estreitar os laços económicos e geopolíticos entre as duas regiões.
Bruxelas está a acompanhar de perto a evolução dos projetos de exploração no norte de Moçambique, nomeadamente os consórcios liderados pelas petrolíferas europeias ENI (Itália) e TotalEnergies (França). O avanço destas infraestruturas foi severamente condicionado pela atividade insurgente na região, mas a UE mostra-se otimista com a retoma dos investimentos à medida que a segurança estabiliza.
"São investimentos muito importantes no atual contexto geopolítico, nomeadamente para a diversificação e a segurança energética da Europa", afirmou Patrícia Llombart, reconhecendo, contudo, que a consolidação total deste corredor energético "exigirá tempo" devido à complexidade das obras necessárias e das infraestruturas exigidas.
Confrontada com a forte corrida aos recursos minerais em África por parte de potências como a China e os Estados Unidos, a responsável europeia fez questão de demarcar o posicionamento de Bruxelas. Segundo Llombart, a abordagem da UE diferencia-se por respeitar a soberania total do Estado moçambicano e focar-se num compromisso duradouro, e não numa mera "medida transitória" para colmatar crises energéticas imediatas.
"O que a UE oferece é uma parceria entre iguais, na qual a sustentabilidade desempenha um papel fundamental e que se baseia na confiança", garantiu a diplomata, reforçando que a relação histórica de décadas vai muito além da atual conjuntura.
A vertente económica da visita caminha lado a lado com a cooperação militar. Arrancam esta sexta-feira as consultas estruturadas entre a UE e as autoridades moçambicanas para avaliar a situação de segurança na província de Cabo Delgado.
O encontro de alto nível será copresidido por Patrícia Llombart e pelo ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Cristóvão Chume, servindo de base para delinear os próximos passos do apoio europeu ao combate ao terrorismo no norte do país.