Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — Portugal assume-se como uma sociedade aberta e favorável à convivência multicultural, embora ainda persistam focos de discriminação direcionados a minorias étnicas e comunidades estrangeiras. Esta é uma das principais conclusões de um inquérito realizado a 1.200 cidadãos nacionais, promovido pela Comunidade Israelita de Lisboa (CIL).
De acordo com o estudo, os residentes de etnia cigana, as pessoas originárias do sul da Ásia e os muçulmanos são apontados pelos inquiridos como as comunidades que menos contribuem para o desenvolvimento socioeconómico do país, sendo, simultaneamente, identificadas como as que mais sofrem com o preconceito no quotidiano.
O objetivo central do estudo, cujas respostas foram recolhidas entre maio e junho deste ano, passou por avaliar a perceção pública sobre os judeus e outras minorias presentes no território nacional, tais como cidadãos brasileiros, africanos, chineses, refugiados ucranianos, expatriados e nómadas digitais.
No que toca à comunidade judaica, quase metade dos participantes no inquérito avalia de forma positiva o seu contributo para o país. No entanto, o desconhecimento ainda é elevado: apenas 3% dos portugueses afirma conhecer bem esta comunidade e perto de metade admite que a imagem geral dos judeus é influenciada e afetada pelos acontecimentos geopolíticos em Israel.
O inquérito revelou também lacunas na literacia histórica e política. Embora a maioria saiba o que significa o antissemitismo, 19% dos inquiridos admitiu nunca ter ouvido a palavra e apenas 40% a associou corretamente à hostilidade ou preconceito contra os judeus. O desconhecimento estende-se ao conceito de sionismo, uma palavra ignorada por 40% da amostra.
Apesar destes indicadores, os dados globais reafirmam a tolerância da sociedade portuguesa face à diferença. Cerca de 68% dos participantes declarou sentir-se confortável na convivência com pessoas de outras origens ou crenças, e uns expressivos 92% defenderam que a diversidade cultural e religiosa deve ser plenamente aceite em Portugal, desde que salvaguardados e respeitados os valores humanos fundamentais.