Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, admitiu hoje que a hipótese de convocar uma greve geral em protesto contra as alterações às leis do trabalho continua em aberto, mas sublinhou a necessidade de adotar uma estratégia pautada pelo equilíbrio e pela cautela. O líder sindical falava no Parlamento, momentos após o encerramento do debate na generalidade sobre o documento proposto pelo Governo.
Mário Mourão considerou provável que o Chega venha a viabilizar o diploma da governação PSD/CDS-PP na votação agendada para sexta-feira. O dirigente acusou o partido liderado por André Ventura de fazer "piruetas" discursivas para justificar o voto a favor, ironizando que o histórico lema "não é não" se transformou num "sim é sim" para este caso concreto, uma vez que o Executivo não pretende abdicar das traves-mestras do projeto.
Apesar de antever a aprovação da proposta na generalidade, a UGT esclarece que o processo legislativo ainda vai passar pela fase de discussão na especialidade. Por esse motivo, as ações de contestação da central sindical serão desenvolvidas "em crescendo" e sem pressas. O plano imediato passa pelo envio de missivas formais já amanhã para agendar encontros com as diversas forças partidárias, de modo a analisar o panorama antes de avançar para novas formas de protesto.
Mourão aproveitou ainda para traçar um balanço negativo do ambiente vivido no hemiciclo durante a tarde, confessando ter saído da sessão "muito confuso" e lamentando o que descreveu como um espetáculo pouco digno para a democracia. Recorde-se que a UGT tinha optado por não se juntar à última paralisação convocada pela CGTP no início do mês, por considerá-la extemporânea, preferindo agora gerir os tempos de resposta de forma faseada.