Bruxelas, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O Primeiro-Ministro português, Luís Montenegro, sublinhou hoje o empenho total do seu Executivo em dialogar e aprofundar a proposta de revisão das leis laborais com os partidos da oposição que se mostrem disponíveis para viabilizar o documento no Parlamento, numa referência implícita ao Chega. As declarações foram feitas à entrada para a cimeira de líderes da União Europeia, na capital belga.
Questionado sobre se as conversações com a força política liderada por André Ventura representam uma mudança de paradigma no panorama político nacional, o chefe do Governo desvalorizou o cenário. "Não vejo onde é que está a novidade", afirmou Luís Montenegro, esclarecendo que o diálogo com os diferentes quadrantes partidários sempre esteve aberto e não se cinge a este dossiê legislativo, tendo já resultado em entendimentos e chumbos noutras ocasiões.
Para fundamentar a sua perspetiva, Montenegro recordou que o diálogo também se faz notar noutras frentes, apontando que o Chega e o Partido Socialista (PS) partilham o mesmo sentido de voto na Assembleia da República com bastante frequência. O governante sublinhou que a sua equipa governativa continuará a trabalhar caso a caso, estabelecendo pontes ora com o Chega, ora com o PS, consoante as matérias em debate.
Esta tomada de posição coincide com a discussão do pacote laboral no Parlamento, um debate que decorre sob o olhar atento da UGT nas galerias e em simultâneo com manifestações promovidas pela CGTP na rua. O desfecho desta reforma laboral permanece incerto, com a votação na generalidade agendada para o dia de amanhã.