Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — As imediações da Assembleia da República transformaram-se hoje num palco de forte contestação social. Largas centenas de trabalhadores concentraram-se em frente ao Palácio de São Bento para exigir o chumbo da nova reforma laboral, precisamente no mesmo momento em que o documento subiu ao plenário para ser debatido na generalidade.
O protesto, organizado pela CGTP, arrancou por volta das 14:00 ao som de vuvuzelas, buzinas e palavras de ordem contra as alterações legislativas. Enquanto a UGT optou por acompanhar o debate apenas a partir das galerias da Assembleia, a intersindical prometeu manter a pressão nas ruas até ao encerramento da sessão parlamentar, contando com o apoio de várias delegações e discursos de estruturas sindicais ao longo da tarde.
A manifestação mereceu o apoio imediato das bancadas da esquerda, com os líderes do PCP e do Bloco de Esquerda a marcarem presença no exterior antes do início dos trabalhos. Paulo Raimundo, secretário-geral dos comunistas, alertou que o pacote não responde às reais necessidades do país e avisou que a luta não termina hoje. Já José Manuel Pureza, pelo BE, classificou a proposta como uma "agressão" aos direitos dos trabalhadores e aproveitou para criticar as posições oscilantes do Chega sobre a matéria.
Esta forte contestação nas ruas acontece após nove meses de negociações em sede de Concertação Social que terminaram sem qualquer consenso entre o Governo e os parceiros sociais. No interior do hemiciclo, alheia aos protestos, a ministra do Trabalho defendeu a urgência da proposta. Rosário Palma Ramalho assegurou que as alterações pretendem tornar as empresas mais competitivas e libertar o país de uma suposta "ideologia do empobrecimento", apontando o dedo à herança deixada pelo Partido Socialista.