Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro, Luís Montenegro, garantiu esta quarta-feira, na Assembleia da República, que o Governo não defende a redução da idade da reforma. O esclarecimento surgiu durante o debate quinzenal, após a Iniciativa Liberal (IL) ter questionado de forma insistente se o Executivo iria ceder às pressões do Chega para conseguir aprovar as novas alterações à legislação laboral, que vão a votos ainda esta semana.
A líder parlamentar da IL, Mariana Leitão, confrontou diretamente o chefe do Governo sobre as contrapartidas negociais exigidas pelo partido de André Ventura, que reclama a fixação da idade de reforma nos 65 anos ou após 40 anos de descontos. Na sua intervenção, a deputada liberal acusou o primeiro-ministro de se "auto-intitular como 'Luís, o concertador'" e de ter envolvido a reforma laboral num debate "completamente tóxico", criticando as mais de 60 reuniões tidas com parceiros sociais e alegando que o Executivo "entregou aos interesses instalados o futuro dos jovens".
Na resposta às críticas, Luís Montenegro demarcou-se da visão da IL sobre a concertação social e desafiou o partido a integrar o debate em torno das propostas "sem estigmas". O primeiro-ministro recusou-se a detalhar o estado das conversações com as restantes forças políticas, sublinhando que, para já, não existe qualquer fumo branco ou entendimento fechado sobre o pacote laboral. "O melhor é ninguém se precipitar a tirar conclusões", recomendou o governante, lamentando os comentários contraditórios que têm vindo a público.
Perante a insistência de Mariana Leitão, que voltou a usar da palavra para exigir uma resposta perentória sobre se a idade da reforma iria ou não baixar como moeda de troca, o líder do Executivo foi curto e direto na sua réplica final. Montenegro colocou um ponto final nas especulações ao declarar de forma categórica à líder da IL: "Sabe que nós não defendemos essa proposta".