Berlim, 14 de junho de 2026 (Lusa) – O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou este domingo à criação urgente de mecanismos legais na Europa que permitam confiscar o petróleo transportado pelas embarcações da "frota fantasma" de Moscovo. A tomada de posição surge poucas horas depois de as forças armadas do Reino Unido terem intercetado e apreendido o petroleiro russo Smyrtos em águas do Canal da Mancha, numa operação conjunta com as autoridades de Paris.
Através de uma mensagem publicada na rede social X, o chefe de Estado ucraniano defendeu que a comunidade europeia precisa de ir além da simples retenção dos cargueiros ou da imposição de barreiras logísticas. Para Zelensky, a resposta eficaz passa pela apreensão definitiva das matérias-primas transportadas, uma medida que considera fundamental para asfixiar as receitas que alimentam a ofensiva militar russa e acelerar o fim do conflito. O governante dirigiu ainda uma palavra de reconhecimento ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enaltecendo a firmeza da ação levada a cabo pelos militares de Londres.
De acordo com os dados partilhados pelo Ministério da Defesa britânico, o Smyrtos está a ser escoltado para a costa sul de Inglaterra e integra uma vasta rede clandestina composta por cerca de 700 navios. Esta estrutura paralela, montada pelo Kremlin em 2022 para contornar os embargos internacionais, é atualmente responsável por escoar 75% de todas as exportações de petróleo e derivados da Rússia.
A reação de Moscovo não se fez esperar e elevou o tom diplomático. O enviado económico do Kremlin, Kiril Dmitriev, classificou a intervenção militar britânica como um "ato de pirataria" e garantiu que a Rússia irá responder à medida. O responsável russo desvalorizou ainda o impacto geopolítico da captura, acusando o executivo de Keir Starmer de orquestrar a operação militar apenas para desviar as atenções da opinião pública interna face aos problemas de imigração que o Reino Unido enfrenta.