Paris, 14 de junho de 2026 (Lusa) – O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, foi o alvo central de uma manifestação hostil na cidade santa de Mashhad, no Irão. O protesto, composto maioritariamente por mulheres, eclodiu após o governante admitir publicamente a iminência de um acordo de paz com os Estados Unidos para travar o conflito no Médio Oriente. Imagens divulgadas pela agência de notícias estatal Fars mostram dezenas de pessoas concentradas em frente a uma delegação ministerial, empunhando bandeiras nacionais, pretas e vermelhas, enquanto gritavam palavras de ordem a exigir a demissão do ministro e apelando à sua morte, apelidando-o de "infiltrado".
A contestação popular ganhou força após uma intervenção televisiva de Araghchi, na qual o governante abriu a porta a um entendimento diplomático com Washington nos "próximos dias". A possibilidade de um cessar-fogo foi alimentada este sábado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo mediador do Paquistão, que chegaram a apontar a assinatura do tratado para este domingo. Teerão, contudo, optou por não confirmar essa data concreta, preferindo falar num horizonte temporal ligeiramente mais alargado.
A perspetiva de entendimento com os norte-americanos está a colher uma forte oposição por parte das fações mais conservadoras do regime iraniano. A ala dura do poder rejeita liminarmente qualquer tipo de cedência política ou militar, em particular no que toca ao controlo do Estreito de Ormuz. Esta passagem marítima estratégica tem estado no centro da escalada de violência que começou a 28 de fevereiro, data em que os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irão, justificando-a com o impasse em torno do programa de enriquecimento de urânio de Teerão.
Em resposta a esse ataque inicial, o Irão retaliou bloqueando o Estreito de Ormuz — uma rota vital por onde circula um quinto do petróleo mundial —, provocando ondas de choque na economia global. Seguiram-se bombardeamentos iranianos contra posições israelitas, bases militares norte-americanas e infraestruturas em diversos países vizinhos, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Iraque. Atualmente, o braço de ferro mantém-se: Teerão recusa reabrir a rota petrolífera e a Administração Trump continua a aplicar um bloqueio naval estrito a todos os navios que naveguem de ou para portos iranianos.