Bruxelas, 13 de junho de 2026 (Lusa) – A Comissão Europeia defendeu este sábado que a decisão da tecnológica norte-americana Anthropic de cortar o acesso global aos seus modelos mais potentes de inteligência artificial (IA) valida a urgência de a União Europeia alcançar a "soberania tecnológica". A tomada de posição de Bruxelas surge após a criadora do Claude suspender abruptamente as suas ferramentas mais recentes, o Fable 5 e o Mythos 5.
O bloqueio repentino foi justificado pela Anthropic como uma resposta direta a uma ordem executiva de última hora da Administração Trump. A nova diretiva de controlo de exportações de Washington proíbe que cidadãos estrangeiros acedam a estas tecnologias de ponta por motivos de segurança nacional. Para cumprir as exigências legais dos Estados Unidos, a empresa optou por vedar o acesso às duas ferramentas a todos os clientes fora do território norte-americano.
Em reação, o porta-voz do executivo comunitário, Thomas Regnier, sublinhou que este episódio expõe a vulnerabilidade do bloco europeu e realça a importância das leis europeias já existentes sobre IA e cibersegurança. Bruxelas revelou estar a analisar o impacto desta suspensão e garantiu que mantém canais de diálogo abertos com os parceiros internacionais para avaliar os riscos dos novos modelos que entram no mercado.
Este incidente ocorre numa altura em que a União Europeia tenta ativamente reduzir a sua dependência tecnológica face aos colossos dos Estados Unidos e da China, tendo apresentado recentemente um pacote legislativo para dinamizar a indústria europeia de semicondutores (chips) e serviços de computação na nuvem. A Comissão Europeia planeia ainda apresentar em breve uma estratégia integrada focada na segurança digital e no desenvolvimento de inteligência artificial soberana.
Por seu turno, a Anthropic lamentou os transtornos causados aos utilizadores que pagavam pelo serviço e criticou a falta de transparência de Washington, alegando que o Governo não especificou os riscos reais que sustentam o bloqueio. O modelo Fable 5 tinha sido lançado há escassos dias e superava largamente o anterior sistema Opus, sendo construído a partir do Mythos, um motor de IA altamente sensível cujas capacidades chegaram a ser apontadas pela própria empresa como capazes de testar os limites da cibersegurança no setor financeiro.