MENU
Exigência do público e custos globais multiplicam "dores de cabeça" nos festivais de música
Líder da Aporfest avisa que já não basta "um palco e bares" e antecipa ano com menos eventos após recorde de 2025.
Por Redação
Publicado em 13/06/2026 12:26
Cultura
@Lusa

Lisboa, 13 de junho de 2026 (Lusa) – O público dos festivais de música está mais exigente e os promotores enfrentam cada vez mais dificuldades para garantir a rentabilidade e manter a qualidade dos eventos. O alerta foi deixado pelo presidente da Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest), Ricardo Bramão, em entrevista ao podcast Lusa Extra, da agência Lusa.

Com o arranque da temporada de verão, que concentra o maior volume de eventos no país, o dirigente reconhece que a organização de um festival exige agora cuidados redobrados em áreas que vão muito além do cartaz artístico. Segundo Ricardo Bramão, os promotores têm de ser muito mais minuciosos nas acessibilidades, na sustentabilidade ambiental, na eficácia da comunicação e na própria igualdade de género na composição dos alinhamentos.

O presidente da Aporfest sublinha que o consumidor atual tem uma perceção clara dos padrões internacionais e exige a aplicação de boas práticas e comportamentos responsáveis no terreno. "Hoje em dia, para fazer festivais, não basta só ter um palco em cima e bares", sustentou, destacando a sofisticação do público que frequenta estes recintos.

Depois de um ano de 2025 considerado "atípico" e recorde, com a realização de 557 festivais de música em Portugal — um fenómeno que o responsável associa diretamente ao impacto das eleições autárquicas —, as projeções para este ano apontam para uma estabilização do mercado. A fasquia deverá fixar-se na média habitual de cerca de 300 eventos anuais, registando-se, contudo, uma tendência de crescimento nos formatos dedicados à música eletrónica.

Ricardo Bramão alertou ainda para o facto de o setor ser "extremamente concorrencial", apontando a coexistência única, e sem paralelo noutras áreas de negócio, de concorrência pública, associativa e privada no mesmo mercado. Relativamente ao aumento do preço dos bilhetes, o líder associativo justificou a subida com a inflação dos custos de produção, motivada pela atualidade geopolítica, e com a forte competição global na contratação de artistas, impulsionada pelo surgimento de mercados emergentes na Ásia.

Esta conjuntura obriga os promotores a trabalhar com horizontes temporais muito alargados para assegurar o apoio financeiro e o patrocínio de grandes empresas. De acordo com os dados da Aporfest, que representa cerca de 800 associados, os festivais de música atraíram 2,6 milhões de espectadores em 2025, um ano em que o festival NOS Alive liderou com 165 mil entradas e o mês de julho se fixou como o mais preenchido, concentrando 117 eventos.

Comentários