Santarém, 10 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou hoje o Governo de adotar políticas que penalizam os mais vulneráveis e favorecem os grandes interesses económicos, criticando em particular a proposta da prestação social única.
À margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, o líder comunista afirmou que o executivo demonstra uma postura mais dura perante os mais frágeis e mais permissiva em relação aos mais poderosos, considerando que a reforma dos apoios sociais está a ser conduzida de forma apressada e sem clarificação suficiente.
Paulo Raimundo contestou a criação da Prestação Social Única, uma medida que prevê a agregação de várias prestações sociais não contributivas num único apoio, defendendo que a proposta deve ser discutida com rigor e com base em dados concretos sobre o seu impacto.
O dirigente do PCP alertou para o número de beneficiários abrangidos, incluindo milhares de crianças e jovens, rejeitando a ideia de que os apoios sociais estejam associados a dependência do sistema.
Além das críticas à política social, o líder comunista acusou o Governo de favorecer grandes interesses económicos, nomeadamente através da política fiscal e da redução de impostos como o IRC, ao mesmo tempo que, segundo afirmou, ignora a fuga de capitais para paraísos fiscais.
Paulo Raimundo considerou ainda que o executivo está a promover alterações laborais que aumentam a precariedade, reduzem direitos dos trabalhadores e pressionam os salários, defendendo que estas medidas contam com o apoio de PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal.
O líder do PCP afirmou também que o Governo está cada vez mais isolado nesta matéria e criticou a postura do Chega, que acusou de incoerência nas suas posições políticas.
Na mesma intervenção, à margem da Feira Nacional de Agricultura, o secretário-geral do PCP alertou ainda para as dificuldades do setor agrícola, sublinhando o aumento dos custos de produção e a distância entre os anúncios do Governo e a realidade dos produtores.
Segundo Paulo Raimundo, muitos dos apoios anunciados não chegam efetivamente aos agricultores, num contexto que considera de agravamento das condições económicas do setor.