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Socialistas Exigem a Carneiro que Suspenda Eleições no PS/Coimbra e Apontam Ilegalidades
Denúncia assinada pelo histórico António Campos e enviada ao líder do partido acusa candidaturas de "pagamento massivo de quotas" e "sindicatos de votos" para adulterar o ato eleitoral de 20 de junho.
Por Redação
Publicado em 09/06/2026 08:34
Nacional
Foto:Manuel Fernando Araújo

Lisboa, 09 jun 2026 (Lusa) — Um grupo de militantes do Partido Socialista (PS), onde se inclui o histórico fundador António Campos, solicitou formalmente ao secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, a suspensão imediata e o adiamento das eleições para a Federação Distrital de Coimbra. A missiva denuncia graves atropelos aos regulamentos internos e práticas ilícitas que, segundo os subscritores, corrompem a democracia partidária.

A carta, à qual a agência Lusa teve acesso, é assinada por António Campos, Rui Moreira Claro e Américo Batista — este último um dos candidatos à liderança da estrutura de Coimbra. Os autores afirmam que o processo está inquinado por "violações grosseiras dos estatutos", tornando inviável a realização do sufrágio agendado para o próximo dia 20 de junho. Exigem, por isso, a limpeza urgente dos cadernos eleitorais e o envio do caso para o Ministério Público, para que se investigue a eventual prática de crimes associados ao financiamento e controlo de votos.

No cerne da contestação, que envolve uma disputa onde também concorrem Pedro Coimbra e Vítor Batista, está o fenómeno do "pagamento massivo de quotas" em determinadas concelhias. De acordo com o documento, registaram-se aumentos de pagamentos na ordem dos 300% em comparação com as recentes eleições para o líder nacional do partido. Os queixosos alegam ter testemunhos confidenciais de militantes que admitem ter tido as suas quotas pagas por terceiros, recebendo posteriormente apenas instruções telefónicas sobre em quem deveriam votar.

Os subscritores alertam para a reativação de "sindicatos de votos", um mecanismo que, acusam, faz com que os atos eleitorais fiquem reservados apenas a quem detém elevado poder financeiro, asfixiando o debate livre. A denúncia detalha que este fluxo irregular de dinheiro é particularmente visível nas três maiores concelhias do distrito de Coimbra e numa outra secção que serve de base de apoio a um dos candidatos à liderança da federação.

A exposição enviada a José Luís Carneiro aponta ainda uma nulidade total dos cadernos eleitorais por desrespeito pelas regras de militância. Os estatutos do PS determinam que os filiados com mais de dois anos de quotas em atraso sejam suspensos e que, após regularizarem a dívida, tenham de aguardar 60 dias para reaver o direito de voto. Os denunciantes sustentam que estas regras estão a ser ignoradas e, de forma ainda mais grave, que há pessoas com mais de quatro anos de incumprimento a serem integradas indevidamente nos cadernos de votação.

O principal rosto político desta contestação, António Campos, é uma das figuras de referência na história do PS. Próximo do antigo Presidente da República Mário Soares, Campos fez parte do núcleo de fundadores do partido, tendo desempenhado funções como secretário de Estado em três executivos e exercido o cargo de deputado à Assembleia da República ao longo de várias legislaturas.

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