Serpa, Beja, 07 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, garantiu este domingo que o Governo liderado por Luís Montenegro ficou politicamente "isolado" na sequência da greve geral da passada quarta-feira. Na ótica do líder comunista, o impacto do protesto deixou o Executivo "aflito" e ciente da sua "derrota" na reforma da legislação laboral.
O diagnóstico foi traçado em Serpa, durante o discurso de encerramento da XI Assembleia da Organização Regional de Beja. Perante as bases do partido, Raimundo sustentou que a forte adesão dos trabalhadores forçou o Executivo a disparar em todas as direções, recorrendo a velhos fantasmas políticos. "Puseram a carne toda no assador. Veio o discurso do ódio contra os sindicatos, contra os trabalhadores e um agastado e velho reacionário discurso anticomunista, do mais bafiento que já ouvimos", criticou, ironizando que esta reação terá o efeito inverso, traduzindo-se em mais sindicalizações e militância no PCP.
O líder comunista criticou a postura do Primeiro-Ministro na gestão do país, carimbando a atuação do Executivo como uma "fraude" que mostra "peito feito com os mais fracos" e se mostra "vergado perante os mais fortes". Para Raimundo, a pressa em agendar o debate parlamentar do pacote laboral foi uma manobra "à má fila", motivada pelo receio e pela aflição do Executivo face à contestação social.
A estratégia traçada pelo PCP recusa qualquer compasso de espera institucional e aponta à mobilização direta, com fortes críticas dirigidas à inconsistência do Chega. "Não é tempo de ficar à espera de partidos cata-vento, partidos de cambalhotas, partidos cuja sua palavra é menos firme do que um pacote de manteiga lá fora ao sol", atirou o secretário-geral do PCP, instando a classe trabalhadora a assumir o protagonismo do combate "ombro a ombro".
Com o debate agendado para o Palácio de São Bento dentro de duas semanas, as atenções dos comunistas estão já focadas na pressão de rua para travar o documento à esquerda.
Paulo Raimundo encerrou a sua intervenção com uma convocatória expressa para uma grande manifestação: "Dia 18 de junho, aquando da discussão na Assembleia da República, lá estaremos todos para pressionar essa discussão e para derrotar o pacote laboral". O objetivo, concluiu, passa por blindar o processo legislativo contra eventuais "manobras e golpadas" de última hora.