Porto, 31 mai 2026 (Lusa) — Manuel Caldas, de 100 anos, em Matosinhos, e Fátima Pinto, de 90 anos, no Porto, são dois exemplos de envelhecimento ativo, mantendo uma vida independente e rotinas diárias que incluem atividade física, deslocações regulares e participação ativa na vida social.
Numa reportagem da Lusa sobre longevidade e autonomia na terceira idade, ambos os casos destacam-se pela recusa em limitar a vida ao espaço doméstico e pela manutenção de hábitos considerados saudáveis ao longo dos anos.
Em Matosinhos, Manuel Caldas mantém uma rotina diária extremamente ativa. Continua a tratar dos seus jardins e da horta, gere tarefas pessoais sem apoio constante e desloca-se a pé para várias atividades do quotidiano, como idas ao banco, correios, farmácia ou barbeiro. Mantém também o hábito de contactar familiares em datas especiais e recusa depender de terceiros para as suas tarefas.
O centenário resume o seu estilo de vida com a ideia de que se deve manter o corpo e a mente ativos, valorizando a autonomia e o convívio social como fatores essenciais para a sua longevidade.
Já no Porto, Fátima Pinto, de 90 anos, mantém uma rotina igualmente ativa. Afirma encarar a vida com uma mentalidade jovem, continua a conduzir regularmente e pratica exercício físico com frequência, incluindo subir escadas diariamente e realizar atividades domésticas e de lazer.
Renovou recentemente a carta de condução e assegura que continua a sentir-se plenamente capaz de conduzir e gerir a sua vida quotidiana. Para Fátima, a atitude mental positiva é um dos principais fatores que contribuem para o envelhecimento saudável.
Segundo o médico João Vieira, especialista em geriatria, casos como estes resultam da combinação entre genética, ambiente social e atitude pessoal. O especialista sublinha a importância da atividade física, da estimulação cognitiva e do envolvimento social contínuo como fatores determinantes para a longevidade com qualidade de vida.
Embora considere estes exemplos excecionais, o médico refere que é cada vez mais frequente encontrar idosos com elevada autonomia em idades avançadas, resultado de mudanças nos cuidados de saúde e nos estilos de vida.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que a população com 65 ou mais anos representava 24,3% em 2024, um aumento significativo face a décadas anteriores, com tendência de crescimento nas projeções futuras para a população portuguesa.