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Aquecimento global pode levar vírus chikungunya a espalhar-se pela Europa e América do Norte
Estudo alerta que alterações climáticas poderão aumentar risco da doença em regiões temperadas até ao final do século
Por Redação
Publicado em 27/05/2026 08:01
International
Foto:Lusa

27 de maio de 2026 (Lusa) — Um novo estudo científico alerta que o vírus chikungunya poderá expandir-se para regiões temperadas, como a Europa Central, o nordeste da América do Norte e o Leste Asiático, devido aos efeitos do aquecimento global até ao ano 2100.

Atualmente, a doença não é considerada endémica na Europa nem na América do Norte, sendo os casos normalmente associados a pessoas que regressam de zonas tropicais ou subtropicais. No entanto, investigadores chineses defendem que as alterações climáticas vão criar condições favoráveis para a propagação do vírus em novas regiões.

O estudo, divulgado pela editora científica Frontiers, conclui que o aumento das temperaturas permitirá a expansão do mosquito “Aedes albopictus”, conhecido como mosquito tigre, considerado atualmente um dos principais transmissores do vírus chikungunya.

Segundo os investigadores, este mosquito consegue sobreviver melhor em temperaturas mais baixas do que o mosquito da dengue, o que aumenta o risco de transmissão da doença em países com clima temperado.

Os sintomas da chikungunya incluem febre alta, dores musculares, fadiga, dores de cabeça, náuseas e erupções cutâneas. A Organização Mundial de Saúde classifica a doença como uma das doenças tropicais negligenciadas.

Para realizar o estudo, os cientistas analisaram milhares de registos geográficos da presença do vírus e dos mosquitos transmissores, combinando esses dados com vários cenários climáticos desenvolvidos pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC).

Os resultados indicam que regiões da Europa Central, do nordeste da América do Norte e do Leste Asiático poderão tornar-se áreas de elevado risco nas próximas décadas. Os autores recomendam que os governos implementem sistemas de monitorização de mosquitos e medidas de prevenção até 2040.

Os investigadores defendem ainda que limitar o aquecimento global e reforçar a preparação dos sistemas de saúde poderá reduzir significativamente o risco de grandes surtos no futuro.

O estudo foi publicado na revista científica “Frontiers in Cellular and Infection Microbiology”.

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