Madrid — Este sábado ficou marcado por um forte protesto na capital espanhola, onde uma multidão se reuniu para exigir a demissão imediata do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e a convocação de eleições legislativas antecipadas. A iniciativa, apelidada de “Marcha pela Dignidade”, foi organizada por plataformas da sociedade civil e recebeu o apoio formal dos partidos PP (direita) e Vox (extrema-direita). Como reportou a agência Lusa, o ambiente do protesto foi pautado por uma forte contestação, insultos à imprensa e várias tiradas de cariz xenófobo.
A mobilização registou números divergentes entre as entidades oficiais e a organização: os promotores apontaram para a presença de 120 mil participantes, ao passo que a Delegação do Governo em Madrid contabilizou cerca de 40 mil manifestantes na rua.
Durante o percurso, um grupo de participantes tentou forçar a aproximação ao Palácio da Moncloa — a residência oficial da presidência —, motivando cortes imediatos no trânsito e o bloqueio de uma faixa na via rápida A6. Registaram-se igualmente episódios de fricção verbal com o forte contingente da Polícia Nacional, que foi criticado pelos manifestantes devido à política de imigração do país. Segundo dados da agência espanhola EFE, não foram efetuadas detenções até ao fecho da manhã.
À cabeça da manifestação seguia uma faixa de grande dimensão da Sociedade Civil Espanhola — estrutura que congrega mais de 150 movimentos cívicos — com a mensagem expressa: “Contra a corrupção e a traição – Sánchez demita-se”. Entre cânticos que rotulavam o executivo como "uma máfia", escutaram-se frases de cariz discriminatório direcionadas à comunidade muçulmana, tais como "Reemigração se não comerem fiambre" ou slogans associando a imigração a uma "invasão".
O Partido Popular fez-se representar por uma comitiva encabeçada pela presidente do Senado, Alicia García, que justificou a ausência do líder do partido, Alberto Núñez Feijóo, com compromissos partidários pré-agendados nas Ilhas Baleares. Nas declarações prestadas aos jornalistas, a responsável acusou Sánchez de ser o "encobridor" de sucessivos escândalos que envolvem familiares e figuras próximas do Partido Socialista (PSOE), avisando que o atual chefe do Governo teme perder o poder.
O partido de extrema-direita Vox compareceu em peso com o seu líder, Santiago Abascal, na linha da frente. Segurando um letreiro que definia o afastamento de Pedro Sánchez como "uma prioridade nacional", Abascal reiterou aos órgãos de comunicação que a nação se encontra refém de uma rede corrupta que empobrece o país e incentiva um fluxo migratório descontrolado.
O líder político recorreu ainda ao conceito de "prioridade nacional" — habitualmente associado à preferência de cidadãos nacionais no acesso a apoios sociais — para vincar que o foco urgente da população deve ser destituir o executivo de funções. Recorde-se que, pelo calendário oficial, as eleições gerais em Espanha estão previstas apenas para o ano de 2027.