LISBOA – O Presidente da República, António José Seguro, manifestou hoje satisfação pelo regresso dos dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud e que foram recentemente detidos pelas autoridades israelitas. No seu discurso de encerramento de uma conferência sobre a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, no Supremo Tribunal de Justiça, o chefe de Estado aproveitou para condenar veementemente o tratamento dispensado aos ativistas.
“Ontem mesmo visionámos humilhações públicas de seres humanos e tratamentos indignos que merecem total repúdio e condenação”, afirmou António José Seguro, referindo-se diretamente às imagens partilhadas pelo ministro israelita Ben Gvir, nas quais surgem detidos da flotilha a ser alvo de humilhações. Segundo reporta a agência Lusa, estas declarações marcam uma posição firme do Presidente perante o incidente diplomático.
Na sua intervenção, o Presidente da República criticou, sem nomear países específicos, nações que, sendo "berço de direitos humanos", seguem agora caminhos que contradizem a sua própria história. O chefe de Estado lamentou que alguns países “ignorem os seus valores fundacionais” e se deixem “contagiar por tentações populistas, discriminatórias e persecutórias da dignidade humana”.
António José Seguro sublinhou ainda que, em situações extremas, estes Estados “violam as regras de modo assumido, sem qualquer pudor, ridicularizando as organizações internacionais que zelam pela sua aplicação e das quais foram eles próprios fundadores”.
À saída do evento, o Presidente da República recusou responder a questões da comunicação social, limitando-se a reiterar a felicidade pelo regresso dos dois médicos portugueses, Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, cujas famílias tinha recebido em Belém na passada quarta-feira.