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Portugueses detidos por Israel estão "bem de saúde, mas marcados"
Médicos portugueses que integravam a flotilha humanitária Global Sumud iniciaram viagem de regresso após incidente diplomático que levou Lisboa a protestar junto de Telavive.
Por Redação
Publicado em 21/05/2026 15:49 • Atualizado 21/05/2026 15:50
Nacional
Foto:Tiago Petinga

LISBOA – Os dois médicos portugueses que integravam a flotilha humanitária Global Sumud, Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, encontram-se já em viagem para Istambul, na Turquia, após terem sido detidos pelas autoridades israelitas na passada segunda-feira. Em declarações reportadas pela agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou hoje que os cidadãos nacionais "estão bem de saúde, embora bastante marcados pela situação vivida".

Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, os dois ativistas deverão chegar a Portugal na próxima sexta-feira. O Governo português está a acompanhar de perto o processo, com a embaixada em Istambul a assegurar o apoio necessário aos médicos até ao momento do seu embarque.

A situação gerou um incidente diplomático entre Lisboa e Telavive. À saída do centro de detenção, as autoridades israelitas impediram o contacto entre os cidadãos portugueses e os representantes diplomáticos portugueses, invocando a urgência da deportação. A atitude foi prontamente contestada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros: "As autoridades israelitas invocaram que a necessidade de dar rapidez à deportação implicava que não houvesse esse contacto. Nós fizemos um protesto", adiantou Paulo Rangel.

Posteriormente, já no aeroporto, o cônsul português conseguiu estabelecer contacto com os dois ativistas. Recorde-se que, logo na segunda-feira, o Governo português já tinha convocado o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção dos ativistas, considerando-a uma "violação do direito internacional", uma vez que a interceção dos cerca de 50 barcos da flotilha ocorreu em águas internacionais.

A interceção da flotilha, que transportava cerca de 430 ativistas com destino à Faixa de Gaza, tem gerado forte condenação internacional. Imagens divulgadas do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, a humilhar diversos ativistas detidos, suscitaram protestos de várias capitais europeias.

A própria União Europeia (UE) interveio no caso, classificando o tratamento dispensado aos ativistas pelas forças de segurança israelitas como "completamente inaceitável". As autoridades de Israel iniciaram hoje o processo de deportação dos participantes da flotilha.

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