LISBOA – A greve de 24 horas convocada na Agência Lusa, que decorreu ontem, quarta-feira, registou uma adesão considerada "fortíssima" pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ). A paralisação dos profissionais da agência de notícias visou contestar a proposta de revisão dos novos estatutos da empresa, um processo que tem gerado um clima de forte contestação interna.
Num comunicado divulgado hoje, o SJ sublinha que a elevada participação na greve reflete a insatisfação generalizada dos profissionais. Segundo o sindicato, os novos estatutos da Lusa são vistos como uma ameaça à independência editorial, na medida em que, conforme refere o documento, "abrem espaço a ingerências políticas na informação" produzida pela agência.
Para além da paragem dos serviços informativos, o protesto foi marcado por uma concentração de trabalhadores junto à Assembleia da República, que reuniu profissionais deslocados de vários pontos do país. O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Simões, marcou presença no local para expressar solidariedade com a classe.
Durante a manifestação, o líder sindical deixou críticas severas ao atual rumo da empresa, sublinhando que "um Diretor de Informação não deve ir ao parlamento prestar contas", e lamentou a ausência de um diálogo genuíno e de negociação entre a administração e os trabalhadores.
O documento do SJ faz um balanço positivo da mobilização, descrevendo-a como uma "grande demonstração de força" por parte dos jornalistas da Lusa. A nota sindical reforça o compromisso da classe em "preservar a independência da Agência" e assegurar melhores condições laborais.
O Sindicato dos Jornalistas reafirmou, ainda, que os profissionais pretendem manter a vigilância sobre outras matérias que preocupam a redação, nomeadamente a questão da dignidade profissional e o combate a estratégias de gestão consideradas questionáveis, como a implementação de sinergias ou mudanças de instalações que, na ótica dos trabalhadores, não fazem sentido estratégico.