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Leonel Vieira vai rodar em Lisboa "A Noite" a partir de peça de José Saramago
Publicado em 19/05/2026 10:38
Cultura
Foto:José Sena Goulão

Lisboa, 19 mai 2026 (Lusa) – O realizador português Leonel Vieira inicia na próxima semana, na capital portuguesa, as filmagens de “A Noite”, uma longa-metragem baseada na peça de teatro homónima de José Saramago. O projeto resulta de uma coprodução com Espanha, segundo confirmou a produtora Volf Entertainment.

Os trabalhos de rodagem vão decorrer entre o dia 25 de maio e meados de junho, tendo como cenários principais os bairros históricos da Graça e do Bairro Alto, em Lisboa. O elenco principal conta com as interpretações de Nuno Lopes, Adriano Luz e do ator espanhol Enrique Arce, além de José Martins, antigo jornalista que também coassina o argumento de adaptação ao lado do realizador.

A longa-metragem, que conta com o apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), da RTP e com a distribuição da NOS Audiovisuais, foi recentemente apresentada a investidores e distribuidores internacionais no "Mercado do Filme", um certame de negócios paralelo ao Festival de Cinema de Cannes, em França. Em declarações à revista Variety, Leonel Vieira caracterizou a obra como "um drama político sobre a Revolução dos Cravos", manifestando otimismo quanto à projeção internacional do filme, sustentada no legado global de José Saramago, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Escrita em 1979, “A Noite” foi a primeira obra teatral de Saramago. O enredo desenrola-se precisamente na madrugada de 24 para 25 de abril de 1974, no interior da redação de um jornal lisboeta. A trama foca-se no embate ideológico entre Manuel Torres, um redator que defende o rigor e a verdade dos factos, e o chefe de redação, Abílio Valadares, uma figura submissa às diretrizes da censura do Estado Novo. A tensão laboral e política atinge o auge quando começam a circular rumores de que uma revolução militar está a eclodir nas ruas.

Leonel Vieira, cujo percurso profissional se divide entre Portugal e o Brasil, soma vários sucessos no cinema e na televisão. O cineasta estreou-se nas longas-metragens com "A sombra dos abutres" (1997), assinando depois títulos emblemáticos como “Zona J” (1998) ou “A selva” (2002), além dos remakes de comédias clássicas como "O pátio das cantigas" (2015) — que permanece como o filme português mais visto de sempre nas salas nacionais, com mais de 608 mil espectadores. No formato televisivo e de streaming, o realizador assinou recentemente produções como “Favàritx” (2025) e “O Grito” (2025).

Com este novo projeto, o universo literário de José Saramago regressa ao grande ecrã, juntando-se a outras adaptações cinematográficas de relevo, como "Ensaio sobre a cegueira" (2008), de Fernando Meirelles, "O homem duplicado" (2013), de Denis Villeneuve, e "O ano da morte de Ricardo Reis" (2020), realizado por João Botelho.

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