15 de maio de 2026 (Lusa) — O Centro Canadiano para Arquitetura (CCA), situado em Montreal, vai inaugurar na próxima quinta-feira a exposição “A sorte da cidade é nunca ter sido perfeita”. A mostra é inteiramente dedicada ao trabalho e pensamento urbanístico do prestigiado arquiteto português Álvaro Siza Vieira, focando-se na forma como as cidades se podem transformar respeitando a sua identidade e memória coletiva.
Comissariada por Giovanna Borasi e Laura Aparicio Llorente, a exposição resulta de uma profunda investigação e de conversas gravadas com o arquiteto no Porto. O público poderá ver maquetas, desenhos, cadernos de esboços e colagens do arquivo pessoal que Siza doou ao CCA. Estes elementos vão dialogar com trabalhos de fotógrafos de renome, como Nuno Cera e Gabriele Basilico, e de teóricos da arquitetura como Aldo Rossi e Kenneth Frampton.
A par da exposição, que ficará patente até 10 de janeiro de 2027, será lançado em setembro um livro que reúne uma extensa história oral de Álvaro Siza e notas inéditas do seu arquivo. O volume será editado em português pela Circo de Ideias e em inglês pela Ruby Press. A sessão de abertura da mostra contará ainda com um debate público sobre o desenho expositivo, assinado pelos arquitetos Sebastián Adamo e Marcelo Faiden.
Nascido em Matosinhos em 1933 e vencedor do Prémio Pritzker em 1992, Álvaro Siza é a figura mais internacional da arquitetura portuguesa, sendo autor de projetos icónicos como o Pavilhão de Portugal ou a reconstrução do Chiado. O seu legado tem estado em grande destaque global nos últimos anos, destacando-se a grande retrospetiva na Fundação Gulbenkian em 2024, a exposição do seu arquivo em Xangai em 2025 e o recente livro biográfico de Patrícia Reis, que retrata o percurso do mestre aos 92 anos.