(Lusa) - A liderança de Keir Starmer está mergulhada numa crise profunda. Após os resultados "desastrosos" do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais da passada quinta-feira, a pressão interna escalou rapidamente. Até ao final da tarde de hoje, pelo menos 64 deputados já tinham vindo a público exigir a demissão do Primeiro-Ministro britânico, defendendo uma saída imediata ou o estabelecimento de um calendário para a sua substituição.
Na tentativa de travar a revolta, Starmer discursou esta segunda-feira, delineando as prioridades do Governo e prometendo colocar o Reino Unido novamente no "centro da Europa". No entanto, as suas palavras não foram suficientes para acalmar as hostes. A deputada Catherine West, uma das vozes mais críticas, classificou a intervenção como "muito pouco, muito tarde" e já está a recolher assinaturas para forçar uma nova eleição interna em setembro, necessitando do apoio de 20% da bancada parlamentar.
A situação agravou-se com uma onda de demissões no seio do Executivo. Quatro figuras de peso, incluindo assessores próximos e secretários de gabinete como Naushabah Khan e Melanie Ward, renunciaram aos seus cargos em massa. Este movimento coordenado aumentou o isolamento de Starmer, numa altura em que os nomes de Andy Burnham, presidente da Câmara de Manchester, e de Wes Streeting, atual secretário da Saúde, surgem com força como potenciais sucessores.
O descontentamento fundamenta-se nos números pesados das últimas eleições. O Partido Trabalhista perdeu quase 1.500 vereadores em Inglaterra e sofreu uma derrota histórica no País de Gales — um bastião do partido desde 1999 — onde caiu para a terceira força política. Também na Escócia o partido viu a sua representação reduzida, confirmando um cenário de perda de confiança do eleitorado que, para muitos deputados, só poderá ser revertido com uma nova liderança.