Lisboa, 11 de maio de 2026 (Lusa) – A CGTP formaliza esta segunda-feira o pré-aviso para uma greve geral marcada para o dia 3 de junho. Uma delegação da Comissão Executiva, liderada pelo secretário-geral Tiago Oliveira, desloca-se ao Ministério do Trabalho para entregar o documento que visa paralisar o país contra as recentes propostas de alteração à lei laboral.
A decisão de avançar para o protesto surge após o fracasso das negociações em sede de Concertação Social. Na última quinta-feira, o Governo e os parceiros sociais encerraram o processo sem chegar a um acordo, com a central sindical a manter o lema "Derrotar o pacote laboral" como bandeira da contestação.
O impasse do "Trabalho XXI" O centro da discórdia é o anteprojeto de reforma "Trabalho XXI". Apresentado pelo Governo de Luís Montenegro em julho de 2025, o plano prevê uma revisão profunda do Código do Trabalho com mais de uma centena de alterações. Para a CGTP, estas medidas constituem um ataque aos direitos dos trabalhadores, o que justifica a convocação desta nova paralisação.
Tensão política e o debate no Parlamento O processo negocial foi marcado por forte tensão, com a CGTP a acusar o Governo de ser "antidemocrático" por realizar reuniões paralelas com a UGT e confederações patronais. Por outro lado, o Executivo argumenta que a central se autoexcluiu ao exigir a retirada total da proposta desde o primeiro dia.
Com o fim da discussão na Concertação Social, a proposta de lei segue agora para a Assembleia da República. A ministra do Trabalho, Palma Ramalho, já manifestou disponibilidade para negociar o documento com o PS e o Chega, embora tenha classificado como "insustentável" a exigência de André Ventura quanto à redução da idade da reforma.