(Lusa) - O PSD anunciou, este domingo, que não irá viabilizar a comissão de inquérito à Operação Influencer proposta pelo Chega. O partido justifica a decisão defendendo que a "política não deve invadir o espaço que cabe à justiça" nem tratar temas desta sensibilidade ao sabor de interesses partidários momentâneos.
A direção da bancada parlamentar social-democrata considera que avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre uma investigação que ainda decorre e se encontra sob segredo de justiça seria um erro. Segundo fonte do partido, tal iniciativa, "ao invés de ajudar nas investigações, pode até prejudicá-las". O PSD reforça que o momento exige "responsabilidade e sentido de Estado", acreditando que a maioria dos portugueses partilha desta visão de não interferência entre os poderes.
Com esta tomada de posição, o projeto do Chega fica, para já, sem caminho para a aprovação. Na atual sessão legislativa, o partido de André Ventura já esgotou o seu direito potestativo (a capacidade de criar uma comissão de forma obrigatória) ao avançar com o inquérito sobre os incêndios rurais.
Para que esta nova comissão fosse aprovada agora, seria necessária uma maioria de 116 deputados, um cenário que o "não" do PSD torna matematicamente impossível, dado que qualquer maioria exige o entendimento entre pelo menos dois dos três maiores partidos (PSD, PS e Chega).
A proposta, formalizada este domingo, pretendia avaliar a intervenção de António Costa e de outros membros do anterior Governo em dossiês como o lítio, o hidrogénio e o centro de dados de Sines. O Chega baseia-se em notícias recentes sobre contactos entre o ex-primeiro-ministro e Diogo Lacerda Machado, alegando que o anterior executivo "mentiu ao país".
Embora travado agora, André Ventura já garantiu que, se não houvesse consenso, o Chega voltaria à carga na próxima sessão legislativa, após o verão, recorrendo então ao seu direito potestativo para forçar a constituição da comissão sem depender do voto dos outros partidos.