Lisboa, 5 de maio de 2026 (Lusa) – O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou esta terça-feira que as propostas de revisão constitucional da Iniciativa Liberal (IL) e do Chega são "só fumaça" e que alterar a Lei Fundamental "não faz falta nenhuma". Apesar da crítica, o líder comunista ressalvou que o partido marcará presença no processo parlamentar.
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma ação com trabalhadores em Lisboa, Paulo Raimundo afirmou que as intenções da direita "não têm interesse nenhum" num momento em que o país exige que se cumpra a Constituição para resolver problemas na saúde, habitação e salários.
"Isso é só para inglês ver e para entreter o pagode. Ora, nós não precisamos de entreter o pagode, nós precisamos de resolver a vida das pessoas", frisou o dirigente, sublinhando que os proponentes da revisão "estão a marimbar-se" para o cumprimento dos direitos constitucionais.
O líder do PCP lançou ainda um desafio: que se cumpra a Constituição "de uma vez por todas" durante cinco anos. Se, após esse período de aplicação integral, ela não servir, o partido aceitará então discutir alterações. "Quanto mais se cumprir, melhor para a maioria", reforçou.
À margem do debate constitucional, Paulo Raimundo alertou para a "pressão muito grande" sobre os direitos dos trabalhadores do setor financeiro, lamentando a falta de contratos coletivos de trabalho. O secretário-geral defendeu que é possível derrotar a nova lei laboral e acusou o Chega de ser um dos "principais aliados" do Governo nesta matéria, classificando as promessas de Ventura sobre a idade da reforma como "só conversa".
A fechar, o líder comunista evocou as recentes declarações do Presidente da República, António José Seguro, no 1.º de Maio, afirmando esperar que o Chefe de Estado aja em conformidade com o seu discurso e vete as alterações laborais caso estas venham a ser aprovadas na Assembleia da República.