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BE acusa Governo de asfixiar trabalhadores, Montenegro critica executivos da “Geringonça”
Publicado em 29/04/2026 18:16
Nacional
Deputado do BE, Fabian Figueiredo

O Parlamento foi hoje palco de um confronto direto entre o Bloco de Esquerda e o Primeiro-Ministro. No centro da discussão esteve a nova reforma laboral, com Fabian Figueiredo a acusar o Executivo de penalizar os rendimentos, enquanto Luís Montenegro recordou o legado da "Geringonça" para justificar as atuais opções políticas.

O debate quinzenal abriu com uma intervenção incisiva de Fabian Figueiredo. O deputado do Bloco de Esquerda criticou a insistência do Governo numa reforma que, na sua visão, não apresenta uma única medida favorável a quem trabalha. Segundo o parlamentar, a estratégia governamental baseia-se na manutenção de salários baixos para atrair investimento, um modelo que classificou como "profundamente errado".

"Se Portugal já tem dos salários mais baixos da Europa, que tipo de investimento é que nós queremos atrair, desvalorizando ainda mais o salário dos portugueses?", questionou Figueiredo. Para o deputado, o projeto do Governo tem o "mérito da coerência", uma vez que todas as medidas empurram os ordenados no mesmo sentido: para baixo. Por este motivo, o BE defende a rejeição total da proposta.

Na resposta, Luís Montenegro contra-atacou, focando-se no histórico do Bloco de Esquerda entre 2015 e 2021. O Primeiro-Ministro argumentou que os resultados dos anos de 2024 e 2025 são substancialmente superiores aos do período em que o BE apoiava os governos de António Costa. Segundo Montenegro, foi precisamente nessa altura que as famílias viram o seu poder de compra e disponibilidade financeira mais fragilizados.

O chefe do Executivo dirigiu críticas severas à Agenda para o Trabalho Digno, associada ao anterior ciclo político, afirmando que esta deixou como herança uma precariedade e um desemprego jovem três vezes superiores à média global. Montenegro sublinhou que os jovens portugueses entram no mercado com salários mais baixos do que a maioria, fruto de políticas que o Bloco de Esquerda "apoiava, aplaudia e viabilizava".

O debate encerrou com uma nota política sobre a atual correlação de forças no Parlamento. Montenegro ironizou com o facto de os eleitores terem respondido às políticas do Bloco nas últimas legislativas, deixando Fabian Figueiredo isolado na sua bancada parlamentar. O confronto de hoje reafirma a distância intransponível entre as duas visões para o futuro do mercado de trabalho em Portugal.

Fonte:Lusa / Foto:Jsé Sena Goulão / Lusa

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