O debate quinzenal desta quarta-feira na Assembleia da República ficou marcado por um aceso confronto direto entre o líder do Chega e o Primeiro-Ministro. André Ventura classificou os planos estruturais do Executivo como um "fracasso", enquanto Luís Montenegro reagiu acusando o deputado de falta de rigor e de ser o elemento "mais socialista" do seu partido.
O embate começou com críticas de Ventura à gestão dos apoios após as tempestades do início do ano. O líder do Chega denunciou que a maioria dos agricultores e das famílias afetadas continua sem receber as verbas prometidas, sugerindo ironicamente que o Governo fosse substituído por uma companhia de seguros: "Se calhar a Fidelidade resolveria melhor os assuntos dos portugueses", atirou.
Na resposta, Luís Montenegro acusou André Ventura de "disparar primeiro e pensar depois", defendendo que o exercício da governação exige ponderação e critérios que o líder do Chega não possui. Ao abordar a política de apoios indiscriminados defendida por Ventura, o Primeiro-Ministro afirmou que este se arrisca a ser o "chegano mais socialista", numa alusão a uma suposta proximidade de discurso com o PS.
O chefe do Executivo aproveitou para atualizar os dados da recuperação, indicando que mais de 7.700 candidaturas de empresas já estão em operação e 7.000 processos de habitação foram aprovados. Montenegro justificou os atrasos com a necessidade de avaliação rigorosa, garantindo que as verbas já estão disponíveis nas CCDR.
No encerramento da sua intervenção, André Ventura voltou à carga, desafiando o Governo a baixar o IVA dos combustíveis e lançando um aviso sobre o pacote laboral. O líder do Chega garantiu que não aprovará reformas que retirem direitos aos trabalhadores, exigindo, em contrapartida, a redução da idade da reforma em Portugal.
Fonte:Lusa / Foto:António Cotrim