A ex-ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta quinta-feira que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) enfrenta constrangimentos devido a regras de gestão que considera inadequadas para responder a situações de emergência.
Ouvida na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, a antiga governante disse que, durante o seu mandato, o instituto não era considerado um problema, referindo que as dificuldades mais recentes surgiram posteriormente.
Marta Temido disse ainda que é necessária uma nova abordagem na gestão do setor da saúde, defendendo que as atuais regras da administração pública não são compatíveis com as exigências da emergência médica.
A ex-ministra disse também que a prioridade deve passar por rever os modelos de gestão, em vez de apenas reforçar os recursos financeiros, dando como exemplo os concursos para técnicos de emergência pré-hospitalar, que, segundo referiu, não têm conseguido preencher todas as vagas.
Questionada sobre a devolução de verbas por parte do INEM, explicou que essas situações se devem às regras orçamentais em vigor e disse que as decisões políticas fazem parte do exercício governativo.
Marta Temido disse ainda não ver uma relação direta entre falta de investimento e as mortes associadas a atrasos no socorro, afastando essa ligação.
A Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM continua a analisar a atuação do instituto e as opções políticas dos últimos anos, incluindo o período da greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar em 2024.
Fonte:Lusa / Foto:Tiago Petinga