O presidente do INEM considerou que durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, em 2024, ocorreu uma “falha deontológica séria”, sublinhando que, naquele período, o instituto deixou de responder a chamadas de emergência.
Luís Mendes Cabral, que falava na comissão parlamentar de inquérito ao INEM, explicou que, na sua visão pessoal enquanto médico e responsável na altura, houve um desvio inaceitável face às responsabilidades da área da saúde.
O responsável salientou que, independentemente das reivindicações laborais, existem limites que não devem ser ultrapassados, uma vez que estão em causa vidas humanas. Considerou ainda que os profissionais de saúde têm essa consciência e devem agir de forma a não comprometer o socorro.
O dirigente reforçou que esta é uma interpretação pessoal e não representa a posição oficial do INEM, acrescentando que acompanhou os acontecimentos com tristeza.
Durante a greve, que decorreu entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, foram registadas 12 mortes, sendo que três poderão estar relacionadas com atrasos no socorro, segundo dados da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.
Mendes Cabral referiu também que o sistema de emergência já operava sob grande pressão antes da paralisação, mas que durante a greve houve um agravamento significativo, afetando o funcionamento dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes.
Apesar disso, defendeu que o problema não foi estrutural, uma vez que o sistema retomou o funcionamento habitual nos dias seguintes, indicando que terá existido um fator externo decisivo naquele período.
A comissão parlamentar de inquérito continua a analisar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relacionadas com o funcionamento do INEM e a atuação durante a greve.
Fonte:Lusa / Foto:António Cotrim