O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, afirmou esta quarta-feira que "nunca houve suspeitas" nos contratos relacionados com a instalação de luzes de Natal na cidade. O autarca destacou que o apoio da autarquia é assegurado através de protocolos com a União de Associações de Comércio e Serviços (UACS) desde 2011, incluindo períodos de governos socialistas liderados por António Costa e Fernando Medina.
A declaração surge no contexto da operação "Lúmen", que investiga alegados crimes económicos em contratos para iluminação natalícia. Entre os detidos está o antigo secretário-geral da Câmara, Alberto Laplaine Guimarães, assim como a presidente da UACS, Carla Salsinha, e administradores de uma empresa de iluminação festiva sediada em Vila Nova de Gaia.
Na reunião do executivo municipal, Moedas sublinhou que Laplaine Guimarães já não exerce funções como secretário-geral, decisão tomada após serem aplicadas medidas de coação, incluindo suspensão de funções e proibição de contacto com funcionários e outros arguidos. Apesar da detenção, o presidente recordou que Laplaine serviu a Câmara durante 30 anos e sempre de forma dedicada.
"Fizemos exatamente como sempre foi feito e sempre com a mesma associação, portanto não é uma associação que apareceu do nada", afirmou o líder do PSD, assegurando que a transparência dos processos "sempre foi claríssima e aprovada por unanimidade".
A vereadora do PS, Alexandra Leitão, considerou a situação gravíssima e questionou a ausência de contratos escritos desde 2022, apontando que isso impede a fiscalização adequada dos protocolos. “O problema não está nos protocolos, mas no que foi feito com eles, com aparente conivência dos serviços da Câmara”, disse, exigindo esclarecimentos políticos a Carlos Moedas.
O executivo municipal aprovou a abertura de um concurso para preencher o cargo de secretário-geral e iniciar uma auditoria interna, apesar de as propostas do Chega para exoneração imediata do antigo secretário terem sido rejeitadas pela maioria PSD/CDS-PP/IL e uma abstenção do PS, Livre, BE e PCP.
Ricardo Moreira, do BE, salientou que Lisboa foi a única cidade onde o mais alto dirigente administrativo foi detido por suspeitas de corrupção, criticando a falha na estratégia de prevenção anticorrupção.
Fonte:Lusa / Foto:Filipe Amorim